Dizem que o tempo cura tudo. Dizem que é preciso ter esperança.
Já passou um ano. Um ano sem ti. Um ano sem mim.
Não me perguntem quem ele foi, pois eu não responderei. Eu própria não o sei. Todas as memórias foram bloqueadas. Todos os traços, todas as caminhadas e as conversas. Tudo se tornou uma ínfima massa guardada no fundo de mim. Por vezes passam me imagens pelos olhos, em que te vejo, sei agora que és tu. Que queres que não te esqueça. És tu quem eu vejo de olhos fechados. És tu que gritas na minha mente para te tornares parte de mim. Agora já não vale a pena, já não te consigo libertar de onde te pus. De onde te escondi. Dizem que para perder a dor deve-se enfrentá-la. Mas eu não o fiz, eu culpo me por não o ter feito, culpo-me por olhar para as fotografias, para a tua campa, e não saber quem és. A importância que tens em mim. Ontem, ao acordar reli o meu diário e vi os álbuns de fotos, sem ter noção do que fazia. Culpem-me por isso também, culpem-me por tentar descobrir quem é a imagem que me passa pela mente. E , descobri que eu e tu já fomos felizes, que já dormi no teu colo, que já me levaste a sítios maravilhosos. E chorei, ao fim de uns longos 6 meses e 22 dias sem chorar, chorei. Chorei como se não houvesse amanha. Chorei como se fosse o fim. Porque eu e tu já fomos felizes. Já fomos um só. Já fomos um par. Já fomos aqueles a quem disseram que tinhas uma neta muito bonita, e tu não contrariastes. Já chorei uma noite abraçada a ti, com medo de te perder. E sabes, por medo da dor que vinha ter comigo á noite deixei de pensar em ti, inventei histórias para o teu desaparecimento. Sempre sabendo a verdade. Morreste e não voltaste para me levar contigo. Depois de um choque súbito , e depois do choro vem a fase da negação. E eu agora nego que já te conheci. Nego que já passeei contigo. Nego que um dia já fomos pai e filha. Melhores amigos. Ídolos. E nego a luz que tenho perto de mim mas não a quero alcançar. E eu nego a ajuda que me querem dar. E eu nego subir do poço sem fim em que me encontro. E eu nego, e eu grito. Eu nego te , nego quem fomos. Quem fui e quem foste. Eu nego – te.
E culpem me por isto também.